sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

“Gecicleuda” ou “O vendedor de cascalho apaixonado”, ou até mesmo “O word97 e o desiludido”.

O pai do meu vizinho dizia que todo homem que se preza não pode passar sem um ofício, um revólver, um veículo e um amor não correspondido. Se vender cascalho for profissão, triângulo for instrumento, baladeira for arma, corcel for carro e o que senti por Gecicleuda for paixão, posso dizer que me encontro hoje, aos trinta e três anos, completamente realizado.

Gecicleuda, mulher e nome que o corretor ortográfico do word não aceita, se recusa, inadmite, rejeita, refuta, insiste em lançar no odioso rol dos probremas, do rechassar, do assoite e demais nomes que jurávamos que era assim que se escrevia.

Em verdade, o que tu sabes sobre a vida, caro programa? Quando nascestes fostes programado a receber com naturalidade Aline, Suzana, Maria e Daniela.

Estas passam alheias ao teu crivo que se debruça impiedoso sobre minha...Gecicleuda.

Com efeito, não me surpreenderia se este teu grifar infame em escarlate tão somente objetivasse acentuar( na verdade sublinhar) a aura vergastante que esta famigerada palavra traz consigo.

Gecicleuda, mulher ingrata que não valeu um clique com o botão direito do cursor, nem tampouco jamais me compensará por adicioná-la ao dicionário do office de cada computador de cada lan house de Itapipoca.

Gecicleuda, tu não tem sinônimos, posto isso agora só te ignoro.


Juan Pablo Nierine

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