quarta-feira, 11 de maio de 2011

E não é que ela foi?



E o mundo amanheceu menos elegante e artístico nesta manhã de terça-feira. Marco Aurélio Silva da Rosa Lacraia, mais conhecido como a dançarina de funk Lacraia, morreu, levando seu tradicional passo "vai lacraia" para o além. A informação foi dada em primeira mão pelo promoter David Brazil, em seu Twitter.

Marco Aurelio Du Lacraia, filho de um maestro e uma dançarina de balé da Companhia Parisiense de Dança, demonstrou desde cedo talento para as artes.

Aos 08 anos já encenara o Lago dos Cisnes na escola primária de Rouen. Mais tarde, influenciado por Nijinski, seu grande ídolo, migrou para a Rússia onde permaneceu por 10 anos até desenvolver um novo passo que mudaria radicalmente a dança contemporânea.

De férias no Brasil, Lacraia conhece em Copacabana o Maestro-Compositor Sergio Vladenvosk, mais conhecido como MC Serginho.

Depois de um colóquio agradável pela orla, o maestro convida então Du Lacraia a conhecer um fenômeno socio-cultural exsurgido no seio do morro carioca, o funk.

Depois de um árduo estudo, MC Serginho inicia uma série de composições influenciadas pela mais fina avant-garde carioca, conciliando o batidão do bonde do tigrão com Stravinsky, dando ao mundo um novo ritmo consagrado na sonata: "Vai Serginho".

Du Lacraia não ficou por menos, e, empolgado com tantas descobertas, mostra ao mundo o que aprendera no circuito Paris-Moscou: A dança dos 40 pés, a dança da Lacraia.

Até hoje não se sabe ao certo como o movimento é tão rapidamente executado sem perder a elegância e a compostura.

Dotado de uma malemolência sem igual e agregando elementos do balé expressionista com a dança moderna, Du Lacraia movimentava as pernas em pequenos passos curtos como um beija-flor parando no ar, ao som de "Vai Lacraia, Vai Lacraia".

Todos os cursos de dança do mundo incluiram em sua grade curricular as matérias "Passo da Lacraia I - Prolegômenos", "Passo da Lacraia II - Iniciação", "Passo da Lacraia III - Movimento Básico" e "Passo da Lacraia IV - Estágio Avançado", sendo as matérias que mais reprovam no curso inteiro, por exigir dos acadêmicos verticalidade corporal, disciplina, leveza, harmonia e simetria.

De fato, uma grande perda para a arte.

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