segunda-feira, 2 de julho de 2012

Doce Mistério



O maior legado do Cristianismo incontroversamente se encontra nos feriados trazidos por si. Em contrapartida, além das guerras, conflitos e descaracterização de culturas, meu maior ressentimento se encontra no fato de terem estragado os domingos. Não que eu tenha vivido algum domingo A.C., mas tem muito relato por aí dizendo que o ”baalbado” era forte.

Indo de encontro ao terceiro mandamento papal, não guardei meu domingo, até mesmo por não saber onde colocá-lo, e fiando-me em Êxodo e nos adventistas que dão moral pro sábado (no sábado eu me abraço ao mandamento papal), fui enxugar umas garrafas no brega mais próximo.

Acomodado em meu assento de plástico (o fim das mesas de ferro em bares e boites diminuiu o índice de traumatismos cranianos, bem como trouxe de volta os renegados boêmios flagelados pelas hemorroidas, porém tirou todo o romantismo do abrir e fechar de mesas e cadeiras rangentes) como bom voyeur me detive em uma jovem gorducha, seminua, de olhar doce e tolo que percorria as mesas buscando encantar os indiferentes colegas de embriaguez dominical.

Não demorou para que a situação me lançasse em elucubrações sobre a decadência humana, a brevitude da existência, memento mori e as frescuras do renascimento. Eis que no som ambiente passa a tocar uma sutil introdução que me trouxe reminiscências longínquas. Doce e tola como a feição da jovem, uma flautinha anunciava que vinha trilha sonora de dor de cotovelo por aí, a voz chorosa de Leonardo veio e confirmou:


Doce Mistério

Eu não sei de onde vem
Esse amor que chega e domina
Viva luz a brilhar
Nesse olhar que o meu ilumina
Vou flutuando na paixão
Não, não sei onde vou chegar
Quem será essa ilusão
Que eu vivo a buscar
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério de amor
Vou flutuando na paixão
Não, não sei onde vou chegar
Quem será essa ilusão
Que eu vivo a buscar
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério
O que eu quero é viver você
Quero sorrir o seu sorriso
Quero pensar os pensamentos seus
Você é tudo que eu preciso
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério
Diz pra mim se é você
Esse alguém que eu tanto quero
Eu preciso descobrir
Se é você meu doce mistério




Deu vontade de chorar. Leandro e Leonardo estão presentes em minhas inconfessáveis memórias de infância quando eu cantava a plenos pulmões “tira essa roupa molhada, quero ser a toalha e o seu cobertor!”.

O triste fim do dono da segunda voz da dupla, detalhadamente explorado pela mídia, o inconteste sentimentalismo carregado na voz de Leonardo, a jovem ignóbil, o brega, o domingo não guardado, as sagradas escrituras, o doce mistério, tudo reunido, me levou para um estado de espírito nostálgico e melancólico e me fez recordar de uma paixão esquecida.

A canção fez parte da trilha sonora da novela "O Rei do Gado", sendo tema da Lia Mezenga (Lavínia Vlasak em sua primeira novela) e Pirilampo (Almir Sater).

Lavínia Vlasak de chapéu, camisa xadrez, minissaia e botinha destroçava meu jovem coração.



Além da introduçãozinha meiga, não falta o solo de guitarra apoteótico. A letra concomitantemente versa sobre um amor puro, impessoal, como também narra um desejo de ver o amor correspondido.

O eu-lírico descreve um sentimento de origem ignorada, que o perpassa e o conduz vida adiante, vindo a questionar ao interlocutor (a) se neste (a) encontrará a correspondência tão buscada.

Torna-se impossível não pensar no amour courtois medieval, no qual o amante (idealizador) aceita a independência de sua amada e tenta fazer de si próprio merecedor dela, agindo de forma corajosa e honrada (nobre) e fazendo quaisquer feitos que ela deseje.

Atenção, os trechos a seguir não passam de informação complementar inútil extraída do Wikipédia. Passe para a conclusão:


“Amor Cortês foi um conceito europeu medieval de atitudes, mitos e etiqueta para enaltecer o amor, e que gerou vários gêneros de literatura medieval, incluindo o romance. Ele surgiu nas cortes ducais e principescas das regiões onde hoje se situa a França meridional, em fins do século XI, e que se propagou nas várias que enalteciam o "Ideal cavaleiresco". Em sua essência, o amor cortês era uma experiência contraditória entre o desejo erótico e a realização espiritual, "um amor ao mesmo tempo ilícito e moralmente elevado, passional e auto-disciplinado, humilhante e exaltante, humano e transcendente".

Principais pontos

A teoria do amor cortês pressupõe uma concepção platónica e mística do amor, que pode ser resumida nos pontos abaixo:

Total submissão do enamorado à sua dama;

A amada é sempre distante, admirável e um compêndio de perfeições físicas e morais;

Os enamorados são sempre de condição aristocrática;

O enamorado pode chegar a comunicar-se com a sua inatingível senhora, após uma progressão de estados que vão desde o suplicante ("fenhedor", em occitano) ao amante ("drut");

Trata-se, frequentemente, de um amor adúltero. Por isso, o poeta oculta o objeto de seu amor substituindo o nome da amada por uma palavra-chave ("senhal") ou pseudónimo poético.
"

http://pt.wikipedia.org/wiki/Amor_cort%C3%AAs


Eis a vida, assim vamos seguindo adiante, saboreando esse doce mistério.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

No seu aro quer tchu, no seu aro quer tchá...


Insidiosos Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro, sempre antenado com as novidades da música erudita, traz uma singela análise sobre a nova música que vem fazendo a cabeça da vanguarda cultural brasileira país afora.

Trata-se da obra "Eu quero tchu, eu quero tcha".

Muitos trabalhos se debruçam sobre a relação do homem com o querer e as transformações e produções da vontade sob o ponto de vista histórico.

O marxismo em suas variadas vertentes preencheu longos capítulos voltados para a temática.

Na pós-modernidade diversos autores se dedicam a discutir a angústia do homem contemporâneo diante da incitação ao consumo, a fomentação do desejo de modo que se atenda ao excesso de produção.

Terrível angústia que vivemos, não nos basta querer o tchu, nem tampouco o tchá, estamos condenados a buscar o thhuchuhuh5huhwhqhqqdwuedhqahhahasahahauh...

Vejamos a canção:


Eu quero tchu, eu quero tchá
Eu quero tchu tchá tchá tchu tchu tchá
Tchu tchá tchá tchu tchu tchá (2x)


Cheguei na balada, doidinho pra biritar,
A galera tá no clima, todo mundo quer dançar,

Notem que assim como na obra de Michel Teló, o espaço de acontecimento narrado pelo eu-lírico se dá no âmbito da balada, a acrópole contemporânea.

O Neymar me chamou, e disse "faz um tchu tchá tchá",
Perguntei o que é isso, ele disse " vou te ensinar".
É uma dança sensual, em goiânia já pegou,
Em minas explodiu, em Santos já bombou,
No nordeste as mina faz, no verão vai pegar,
Então faz o tchu tchá tchá, o Brasil inteiro vai cantar.

Eis que surge Neymar, ídolo do futebol brasileiro que como uma espécie de Virgílio guiando o poeta pelos anéis do inferno, conduz o eu-lírico na iniciação ao tchu-tchá-tchá.

Eu quero tchu, eu quero tchá
Eu quero tchu tchá tchá tchu tchu tchá
Tchu tchá tchá tchu tchu tchá (2x)

Cheguei na balada, doidinho pra biritar,
A galera tá no clima, todo mundo quer dançar,
Uma mina me chamou, e disse "faz um tchu tchá tchá",
Perguntei o que é isso, ela disse " eu vou te ensinar".

É uma dança sensual, em Goiânia já pegou,
Em Minas explodiu, em Tocantins já bombou,
No nordeste as mina faz, no verão vai pegar,
Então faz o tchu tchá tchá, o Brasil inteiro vai cantar.

Eu quero tchu, eu quero tchá
Eu quero tchu tchá tchá tchu tchu tchá
Tchu tchá tchá tchu tchu tchá (2x)

Eu quero tchu, eu quero tchá
Eu quero tchu tchá tchá tchu tchu tchá

Notem a pressão social imposta diante do eu-lírico, Neymar, a mina, todos mais do que querer o tchu-tcha-tcha, determinam que você o faça pois tal ação se alastrou pelo país vertiginosamente, tal qual a febre da própria música.

Não há como negar um efeito de metalinguagem uma vez que a canção que se lança como música de verão já se anuncia como tal.

E você poderia estar estudando, mas não, você quer tchu...você quer tchá...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

As Melhores Músicas pra Iniciar a Vida de Quenga



Indigitados Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro, mais uma vez vem prestar um serviço de utilidade pública.

Muitas jovens que estão iniciando a labuta na profissão mais antiga do mundo encontram, de cara, dúvidas e dificuldades ao elaborar um bom playlist para se apresentar na noite.

De fato, não existe regra, nem tampouco etiqueta absoluta no assunto música pra tirar a roupa.

Contudo, seguindo algumas dicas você tem tudo pra engrenar na vida:

1) Primeiro passo: Assim como em todos os segmentos do mercado, conheça seu público. Estude o ambiente, o perfil social dos frequentadores do brega, sempre levando em conta não o gosto musical específico dos clientes, mas a idade. Se a faixa etária média for superior a 40 anos, nada de sertanejo universitário. Outro fator relevante é o grau médio de escolaridade. Se ninguém falar inglês, mande ver nas "românticas internacionais" sem dó nem piedade, caso contrário, tome cuidado no repertório.

2) Segundo passo: Música pra dançar no cabaré não é música que fala de cabaré, nem música que toca no intervalo das apresentações, nem tampouco músicas conhecidas como ideais para striptease. Ou seja, nada de "Je t'aime, moi non plus"...

3) Terceiro passo: Quengagem é tradição, desde o início dos tempos, raparigas mais velhas entregam às jovens neófitas os segredos da arte do coqueterismo. Assim, não tente inventar, nada mudou desde Madalena.

4) Quarto passo: Não preciso falar que o nome de guerra é fundamental. Precisa ser doce e ter impacto quando anunciado. A canção escolhida deve ter força em dois quesitos: Boa introdução e refrão pegajoso.

Por isso, caso se sinta insegura, oferecemos uma lista de clássicos que você pode empregar nas suas primeiras apresentações, sem medo de errar e sem medo de ser feliz:



#5 - I Want to know what Love is – Mariah Carey
http://www.youtube.com/watch?v=ap-hGByOtrY

O já clássico sucesso de Mariah Carey é pedida obrigatória. O toquezinho do teclado produz um efeito formidável na entrada e o refrão pegajoso cheio de gritos empolga no clímax da apresentação.



#4 - Joe Cocker - You can leave you hat on
http://www.youtube.com/watch?v=deLDSH58Bao

Usada pra toda e qualquer cena de striptease de novelas, filmes, séries de TV, e afins, essa música ganhou notoriedade em razão do filme "Nove Semanas e Meia de Amor".



#3 - Peter Frampton - Baby, I love your way
http://www.youtube.com/watch?v=DTKc7_m5rkI&ob=av2n

Outro clássico que ficou um pouco esquecido nos últimos anos, o que o torna uma boa dica para explorar o saudosismo dos clientes mais antigos.



# 2- Guns N'Roses - Don't Cry
http://www.youtube.com/watch?v=zRIbf6JqkNc

Guns é universal. Todo mundo gosta e o solo introdutório surte um bom efeito no início.



# 1- The Eagles - Hotel California
http://www.youtube.com/watch?v=H1iv6lof5JM

Finalmente, este eterno clássico dos bregas, cabarés, puteiros e casas de tolerância do mundo inteiro. Se existe uma canção trilha sonora do puteiro, esta é Hotel California. Impossível não ouvir e já imaginar uma quenga deslizando numa barra de ferro.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Atoladinha no seu Aro



Luculentos Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro realizará uma análise musical de há muito requerida através de cartas, torpedos e pedradas de baladeira.

Em primeiro lugar, devemos explicar que se em um momento inicial parecemos não dar a devida atenção ao fenômeno, em verdade buscamos o distanciamento necessário para tentarmos entender esta expressão cultural de tamanha magnitude, bem como suas influências mais definitivas no cenário geopolítico.

Sem mais delongas, estamos tratando de nada mais nada menos do que o já clássico de presença imprescindível em nossos vestibulares: "Atoladinha", de autoria atribuída ao gênio MC Sandrinho.

Não esperem soluções definitivas para questões ainda muito controversas, as quais necessitam de anos de estudo e análise mais aprofundada por diversos campos da ciência.

Assim entendam as mal alinhavadas linhas que seguem como uma humilde contribuição para a compreensão geral desta obra de arte.

Logo quando de seu estouro nas rádios do Brasil, alguns pensadores atabalhoados saíram de plano bradando ao mundo as impossibilidades e caminhos sem volta na música decorrentes dos paradigmas quebrados por Bola de Fogo. Alguns em exortação precoce anunciaram até o fim da possibilidade de se compor.

Tom Zé apolipticamente sentenciou: "um metarrefrão microtonal e polissemiótico"...

Tenho minhas dúvidas, eis a letra:


Atoladinha
Bola de Fogo

Alô?
Qual é foguenta?
Quem tá falando?
Sou eu Bola De Fogo...e aê tá de bobeira hoje?
Tô...
Vamu dá um rolé na praia, mó solzão praia da Barra...
Já é..
Então vou ai ti buscar,valeu?
Valeu...
Então...Fui!!!


Vemos na primeira estrofe o diálogo entre Bola de Fogo e Foguenta.
O contexto da troca de informes entre os interlocutores nos sugere tratar-se de uma ligação telefônica efetuada por Bola de Fogo, indicando-se uma atuação no futuro: o encontro de ambos para o rolé na praia da Barra.

Contudo, a narrativa é abruptamente deslocada para outro plano, assim enunciado:

"Piririn, piririn, piririn
Alguém ligou pra mim
Quem é?
Sou eu Bola de Fogo
E o calor ta de matar
Vai ser na praia da Barra
Que uma moda eu vou lançar"


O primeiro verso já contém a onomatopeia "piririm", que traduz o som de um telefone tocando, o que remete ao diálogo anterior.

Vejam que em tempos de ipad, iphone, smartphone e toques em mp3, ao narrador para traduzir o ato de um telefone tocando torna-se necessário remeter o ouvinte para o clássico toque dos telefones antigos.

Seria uma ironia sobre o fato da tecnologia, apesar de todas as revoluções e impactos que causou, ser incapaz de alterar certas formas clássicas de expressão e transmissão de ideias?

Enfim, o certo é que curiosamente, após o "piririm", uma voz feminina, ficando subentendido que seja Foguenta, afirma: "Alguém ligou pra mim"...

Novamente o poeta nos lança em um impasse. Enquanto o "piririm" traduz uma ação simultânea à narrativa, deixando ao alvedrio do ouvinte a interpretação se na verdade é uma nova ligação de Bola de Fogo ou a ligação descrita anteriormente agora sob a perspectiva de Foguenta, o verbo ligar estando no passado, por óbvio, nos remete para um evento passado.

No verso seguinte temos o "quem é?", transcrição de um diálogo no presente e no qual Bola de Fogo se reapresenta, se queixa do calor e faz alusão à eventual moda que irá lançar na Praia da Barra.

Quanto a tais informes, em seguida advém a retorsão de Foguenta que busca adivinhar a moda a ser lançada, senão vejamos:

"Vai me enterrar na areia?
Não, não vou atolar
Vai me enterrar na areia?
Não, não vou atolar"


Vejam a veemência de Bola de Fogo, manifestando sua expressa recusa à possibilidade de enterrar Foguenta na areia, declarando claramente que irá atolá-la.

Logo em seguida, o plano temporal, mais uma vez, se desloca:

"To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
To ficando atoladinha
calma,calma foguentinha"


Assim, ao final, a canção se encerra com a declaração apreensiva de Foguenta e as palavras apaziguadoras de Bola de Fogo.

Deveras o deslocamento de planos temporais e vozes narrativas não é nenhum novidade na seara literária, havendo toda uma teoria quanto ao assunto e que não nos cabe detalhar com maior profundidade.

O significativo é o emprego de tais recursos em uma aparentemente simplória canção que pode ser considerada atordoante, porquanto oferece mínimas ferramentas de compreensão ao ouvinte e, em ato contínuo, o tira do lugar comum e do conforto da representação solidificada.

O atolamento é semântico, representativo, pós-moderno,estamos todos atoladinhos...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ai se eu pego seu aro



Preclaros Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro chegou em 2012!

De fato, 2011 foi um ano morgado, quase que nosso espaço chegou ao fim, mas voltamos "de com força".

Para estrear esse ano apocalíptico teremos que nos curvar ao fenômeno recente da MPB, Michel Teló e tentar descobrir a raiz de tal febre.

Em primeiro lugar, tal gênio não surgiu por acaso. Teló já estourara a paciência e as rádios de todo o Brasil com o já clássico: "Fugidinha".

Evidentemente, fora da oralidade necessária para compreensão da música (caso você ainda não tenha percebida "fugidinha" pode ser confundível com "fudidinha") perdemos muito do talento do intérprete paranaense.

De toda sorte, Teló apostou em uma temática clássica, quinhentista, que para muitos jamais teria a capacidade de atingir o gosto popular, contudo logrou êxito.

Ao longo da canção "Fugidinha" percebemos nítida influência de temas comuns ao arcadismo e suas caraterísticas essenciais: bucolismo, escapismo etc.


Dirceu sempre quis dar uma fugidinha com Marília

"Tô bem na parada
Ninguém consegue entender
Chego na balada
Todos param pra me ver
Tudo dando certo
Mas eu tô esperto
Não posso botar tudo a perder"


Da construção poética de Teló a primeira coisa que salta aos olhos é a necessidade do eu-lírico se firmar como detentor das rédeas da situação, recebendo a atenção dos que estão em sua volta.

Assim, custe o que custar, a ideia de domínio e de controle é deflagrada, sem a compreensão dos que o cercam.

Todavia, o que parece ser a ordem natural das coisas logo é abalada pela densa presença do objeto amado, que reverte conscienciosamente a situação de estabilidade do eu-lírico, senão vejamos:


"Sempre tem aquela
Pessoa especial
Que fica na dela
Sabe seu potencial
E mexe comigo
Isso é um perigo
Logo agora que eu fiquei legal"

Pronto, o equilíbrio do sujeito vorazmente vai à bancarrota diante da potência do objeto, que lança a ameaça em iminência de se cumprir...

"Tô morrendo de vontade de te agarrar
Não sei quanto tempo mais vou suportar
Mas pra gente se encontrar
Ninguém pode saber
já pensei e sei o que devo fazer
O jeito é dar uma fugidinha com você
O jeito é dar uma fugida com você
Se você quer
Saber o que vai acontecer
Primeiro a gente foge
Depois a gente vê".

Enfim, o desejo se sobrepõe à necessidade de domínio, contudo, o eu-lírico ressalta a necessidade de segredo como condição sine qua non para o desdobramento da relação amorosa.

Desse modo, emerge a ideia de fuga, o escapismo diante da realidade opressora, que tão bem foi descrito nos versos do também poeta Tomás Antônio Gonzaga, no também clássico "Marília de Dirceu".

Recentemente, a canção "Ai se eu te pego", voltou a lançar Michel Teló no rol dos grandes intérpretes de nossa geração.

Saboreie:

"Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego...

Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego..."

Ab initio, percebam a ênfase do eu-lírico em relação ao espanto diante do que ainda não restou explicado: "nossa, nossa", sobrevindo um alerta quanto ao abrupto risco de morte, "assim você me mata".

Na segunda estrofe, a ênfase na ideia de sabor nos esclarece que o mesmo objeto de espanto também provoca desejo, passando o "ai se eu te pego" a nos informar que esse desejo anunciado ainda não se consumou.

Prossegue a canção:

"Sábado na balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar"

Novamente, o eu-lírico descreve a balada como espaço de atuação dos agentes descritos na obra, sendo que, mais uma vez, o sujeito se depara com a atormentadora presença da figura feminina, que logo se destaca das demais em razão de sua beleza.


Garota de Ipanema - Teló liga o contemporâneo ao clássico

Vejam que a "menina mais linda" está "passando", tratando-se de deliberada referência ao clássico da música brasileira "Garota de Ipanema".

Em ambas as canções, a bela figura feminina é descrita em uma condição chave: o passeio perante a visão do eu-lírico embasbacado.

Alguns teóricos nesse ponto mencionam eventual influência de Charles Baudelaire, em seu poema, "a une passante":

"La rue assourdissante autour de moi hurlait.
Longue, mince, en grand deuil, douleur majestueuse,
Une femme passa, d'une main fastueuse
Soulevant, balançant le feston et l'ourlet;
Agile et noble, avec sa jambe de statue.
Moi, je buvais, crispé comme un extravagant,
Dans son oeil, ciel livide où germe l'ouragan,
La douceur qui fascine et le plaisir qui tue.
Un éclair... puis la nuit! — Fugitive beauté
Dont le regard m'a fait soudainement renaître,
Ne te verrai-je plus que dans l'éternité?
Ailleurs, bien loin d'ici! trop tard! jamais peut-être!
Car j'ignore où tu fuis, tu ne sais où je vais,
Ô toi que j'eusse aimée, ô toi qui le savais!"



Entretanto, humildemente, discordo destas vozes, porquanto o desfecho da canção de Teló lança-o em condição diametralmente oposta ao eu-lírico do poema francês, senão vejamos:


"Tomei coragem e comecei a falar
Nossa, nossa
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego
Delícia, delícia
Assim você me mata
Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego"


Baudelaire não foi macho pra dizer "Delícia, assim você me mata"...

Dessa feita, enquanto o poeta maldito se restringe a cantar o jamais vivido, o nunca realizado, bebericando do néctar do tédio e da atmosfera de não concretização, Teló toma forças para exteriorizar, sem maiores pudores, tudo aquilo que o assomou quando da visão do objeto amado.


Finalmente, destaquemos a ameaça final, nunca confirmada, encerrando-se o poema com esta sugestão de possibilidade.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

“Gecicleuda” ou “O vendedor de cascalho apaixonado”, ou até mesmo “O word97 e o desiludido”.

O pai do meu vizinho dizia que todo homem que se preza não pode passar sem um ofício, um revólver, um veículo e um amor não correspondido. Se vender cascalho for profissão, triângulo for instrumento, baladeira for arma, corcel for carro e o que senti por Gecicleuda for paixão, posso dizer que me encontro hoje, aos trinta e três anos, completamente realizado.

Gecicleuda, mulher e nome que o corretor ortográfico do word não aceita, se recusa, inadmite, rejeita, refuta, insiste em lançar no odioso rol dos probremas, do rechassar, do assoite e demais nomes que jurávamos que era assim que se escrevia.

Em verdade, o que tu sabes sobre a vida, caro programa? Quando nascestes fostes programado a receber com naturalidade Aline, Suzana, Maria e Daniela.

Estas passam alheias ao teu crivo que se debruça impiedoso sobre minha...Gecicleuda.

Com efeito, não me surpreenderia se este teu grifar infame em escarlate tão somente objetivasse acentuar( na verdade sublinhar) a aura vergastante que esta famigerada palavra traz consigo.

Gecicleuda, mulher ingrata que não valeu um clique com o botão direito do cursor, nem tampouco jamais me compensará por adicioná-la ao dicionário do office de cada computador de cada lan house de Itapipoca.

Gecicleuda, tu não tem sinônimos, posto isso agora só te ignoro.


Juan Pablo Nierine

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ordem dos Standupistas do Brasil Criará Exame para Ingresso na Profissão




Está confirmado. Depois de criada no último mês de setembro, a OSB - Ordem dos Standupistas do Brasil, que agrega todos os artistas adeptos dessa forma de humor, irá lançar o edital n. 001/2011 que abrirá vagas para ingresso nos quadros da carreira mediante aprovação em certame que será realizado pela CESPE/UNB.

Segundo Paulinho Bigó, presidente em exercício da OSB (em virtude do afastamento do Presidente Rafinha Bastos depois de anunciar sua disposição fetofágica), a criação de um exame admissional passou a ser medida imprescindível diante do crescente número de profissionais no mercado e da constante reclamação por parte do público em razão de apresentações toscas e sem a mínima graça.

"Foi a única alternativa que encontramos para oferecer um controle maior sobre a qualidade e o nível da comédia stand-up no Brasil. No começo foi difícil para muitos aceitar a ideia, na verdade a maioria acreditava que isso não passava de uma piada, como são, na verdade, a maioria de nossos informes e deliberações, mas está confirmado!", falou o Presidente Bigó.


Exemplo de Comediante Sem Graça

A prova terá duas fases. Na primeira o candidato será submetido a um exame objetivo, que o indagará sobre a origem do humor stand-up, suas variadas vertentes no Brasil, a criação de piadas através do cotidiano, episódios de Seinfeld e maneiras práticas de forçar a plateia a rir de algo que não tenha sentido. Na segunda fase, de posse de um microfone, em um palco sem cenário, o candidato terá quinze minutos para submeter sua apresentação ao crivo de uma banca examinadora formada por Marquito, Agildo Ribeiro e Arnaldo Saccomani.

O stand-up tem suas raízes em variadas tradições do entretenimento popular americano do final do século XIX, incluindo o vaudeville, (teatro de revista) e monólogos humorísticos.

Os "mestres de cerimônia" começaram a aparecer em clubes noturnos apresentando grandes bandas e abrindo shows de outros artistas.
Os tópicos se caracterizavam por improvisações e discussões sobre qualquer coisa, desde os últimos filmes até um aniversário esquecido.

Richard Pryor e George Carlin, seguindo o estilo de Lenny Bruce, se transformaram em ícones da contracultura. Steve Martin e Bill Cosby tiveram nível similar de sucessos com números mais suaves. Muitas estrelas do stand-up obtiveram grandes contratos com a televisão e também com estúdios de cinema, como Robin Williams, Eddie Murphy e Billy Crystal.

Por volta de 1990 a comédia stand-up ganhou nova força através de nomes como Jerry Seinfeld, Ellen DeGeneres, Roseanne, Tim Allen, Chris Rock e Ray Romano.

O gênero do "one man show" que é semelhante, mas permite outras abordagens (interpretação de personagens, músicas, cenas) foi introduzido no Brasil por José Vasconcelos, na década de 60. Aproximando-se mais ainda do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares mantiveram o gênero - principalmente em seus shows ao vivo, e geralmente, na abertura de seus programas - se aproximando da comédia stand up como vemos hoje.

Há hoje vários comediantes exercendo o gênero no Brasil.


Jerry Seinfeld- Referência do Gênero

Veja os tópicos do edital que irão constar na prova objetiva:

"1 - STAND-UP: Conceito, origem, história. 2 - O HUMOR AMERICANO. 3 - A TELEVISÂO. 4 - PIADAS SOBRE O COTIDIANO. - 4.1. ENGARRAFAMENTO. - 4.2. FILA. - 4.3. CONTROLE REMOTO. - 4.4. CASAMENTO. - 4.5. PROPAGANDAS.- 4.6.GORDOS - 4.7. POLÍTICOS - 4.8. ENLATADOS - 4.9. - FILMES - 5 - PIADAS COM COISAS IDIOTAS E/OU ODIADAS POR TODOS: Emos, Extratos de Tomate etc".

Ocorre que nem todos estão satisfeitos com tal medida. Antes da conclusão de nossa postagem, através de contato telefônico, a Associação dos Paulistanos de Classe Média Metido a Engraçadinhos nos informou que já acionou seus advogados e irão ingressar com as ações cabíveis no intuito de garantir a todo o sujeito sem graça, ou sem vocação pra nada na vida, exercer uma profissão.

"Trata-se de uma garantia constitucional! A OSB busca tão somente criar reserva de mercado! Os últimos estudos mostram que o gênero stand-up tem sido o maior gerador de empregos no Brasil, mais até que a construção civil, sem contar o relevante serviço para a sociedade. Muitos jovens mimados e exibidos de nossa classe abastada, ao invés de se entregarem ao incendiarismo de indígenas, vêm encontrando no humor uma saída para a falta de graça, banalidade e trivialismo de nosso cotidiano!", falou o Diretor da Associação, Oscar Filho.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Diário de um Bêbado III - Havana


Infaustos Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro segue em sua expedição ébria narrando um pouco sobre os dias que passamos na ilha de Fidel, Camilo, José Martí, Nicolas Guillen, Reinaldo Arenas, Compay II e Mirela.

Desembarcando no aeroporto de Havana, partimos diretamente para o que interessava: Experimentar a famosa cerveja bucanero...



O rótulo avisa: "Fuerte". É mesmo. Maravilhosa. Encorpada como deve ser para se enfrentar o calor caribenho. Depois de algumas latas seguimos adiante já trôpegos.

Praça da Revolução, Habana Vieja e Malecon, em uma tarde só. De noite o negócio é caminhar pela Calle Obispo e parar em cada bar com música ao vivo e, lógico, encher a caveira.

Pare a cerveja por um instante e parta para os famosos Mojito e Daiquiri, bebidas feitas com rum e limão.

O mais interessante disso tudo é se embriagar e acordar no outro dia pela manhã. Quem já tomou porres homéricos sabe da sensação que se tem quando se acorda no dia seguinte.

Demora alguns segundos pra você assimilar o que aconteceu. Enquanto isso nos perguntamos:"Quem sou?", "Onde estou?", "Para onde vou?", "Quem me atropelou?".

Enfim, tal estado de confusão se agiganta muito mais quando acordamos em um país diferente e que fala outro idioma.

Passagem para Cuba: R$ 1.400,00
Litros e litros de Cerveja e Rum: R$ 500,00
Acordar em um quarto estranho com um monte de gente falando espanhol ao teu redor: não tem preço!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Diário de um Bêbado II - Panamá



Ignominiosos Leitores,

Em primeiro lugar, quero pedir desculpas pela inexplicável inércia do seu aro nos últimos tempos.

Na verdade, 90% dos leitores deste blog sabem o porquê da inanição deste blogueiro (minha mãe, minha mulher e meus amigos), posto que todos têm conhecimento de que este que vos fala encontrava-se viajando (também sabem que não sei usar a regra dos porquês - viu? - e me sinto constrangido em usar o "pq", daí o excesso de "por isso", "pois", "posto que" etc.)

Como dizem os javaneses: "Enfim", vamos ao que interessa. O post do retorno deve, por óbvio, relatar o ocorrido.

Perdoem-me pela demora. Acontece que quando deixamos nossa pátria, nosso idioma e nossa cultura, por certo tempo, ficando alheios ao que se passa em nosso solo, quando voltamos perdemos um pouco o rumo.

Difícil voltar ao Brasil e encarar duas novas realidades: Itamar Franco está morto e Sandy dá o cu!

Demorei pra superar o choque.

Fui para o Panamá, Cuba, Peru.

Razão? Advogado contratado pelo PQP (Partido das Questões Pertinentes). Único partido, no Brasil, que luta para manter-se na clandestinidade.

O partido possui 03 (três) membros e faz aliança somente com 01 (um) partido: O PRE (Partido do Recuo Estratégico).

O partido possui uma plataforma: Todo brasileiro deve ter vergonha na cara.

O partido abomina duas coisas: Julio Iglesias e Kenny G.

Missão do Partido: Filiar Fidel Castro ao PQP. Controlar Cuba e por conseguinte lançá-la na clandestinidade.

Minha missão: Assessorar juridicamente Bin Simplício, Secretário de Assuntos Exteriores do Partido.

Primeira Escala: Panamá;

Não queiram detalhes demais, posto que a maior parte do tempo eu me encontrei no módulo: "bêbado", "distraído", "apagado", "chapado", "indiferente".

Vamos para as considerações:



Panamá






Logo no primeiro voo o avião quase caiu. Queda por alguns segundos, intestino na boca da garganta e a decepção de se ver morto junto com meia dúzia de criaturas indo alegremente para a disney.




Escapei (nota-se). O pacífico é muito lindo. O Panamá é estranho. Me lembrou muito São Paulo. Metrópole, Panamá City. Arranha-céus que pareciam mais "estrupa-céus".



Muita mulher bonita. Muita puta. Muito dinheiro correndo solto. Muita desigualdade social. Muita perna aberta pros EUA.



Fui ver o canal. lembrei que devo ir mais vezes ao dentista (podre). Impressionante.

O casco viejo (bairro antigo) me interessou muito. Prédios antigos. Protestos contra o atual presidente. Belos monumentos e... O pacífico, imponente.



Cerveja Panamá. A melhor de todas.

Pude ver um jogo de futebol da seleção do Panamá no Panamá. Mundial Sub-20. Panamá perdeu pro México. No bar os torcedores vibravam e enlouqueciam por uma seleção de jovens que tinha muita disposição e absolutamente nada de técnica e/ou expectativa de vencer.

Me senti constrangido. Devemos avaliar a nossa relação com nossa seleção? Perdemos "nossa" seleção?

Deixemos pra lá.

Continua...





quinta-feira, 2 de junho de 2011

Dia Internacional da Prostituta


Indigitados Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro não poderia deixar passar en blanc esta data tão importante.

Pra quem ainda não sabe, hoje é o dia da profissão mais antiga do mundo, o dia da prostituta.

Profissão nobre que exige altruísmo, abnegação, talento e coragem, a prostituição é o afazer mais relevante para a sociedade, considerando que tais profissionais lutam arduamente para sustentar nossos futuros políticos e árbitros de futebol.



Então fica registrada nossa homenagem para você secretária do cais que, ao longo da história, vem sendo cantada por poetas e artistas vários.

Você que aplaca a solidão de muitos, que traz um pouco de calor humano para quem não tem, traz amor aos sedentos, atenção aos desesperados.

Viva as messalinas!!!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

E não é que ela foi?



E o mundo amanheceu menos elegante e artístico nesta manhã de terça-feira. Marco Aurélio Silva da Rosa Lacraia, mais conhecido como a dançarina de funk Lacraia, morreu, levando seu tradicional passo "vai lacraia" para o além. A informação foi dada em primeira mão pelo promoter David Brazil, em seu Twitter.

Marco Aurelio Du Lacraia, filho de um maestro e uma dançarina de balé da Companhia Parisiense de Dança, demonstrou desde cedo talento para as artes.

Aos 08 anos já encenara o Lago dos Cisnes na escola primária de Rouen. Mais tarde, influenciado por Nijinski, seu grande ídolo, migrou para a Rússia onde permaneceu por 10 anos até desenvolver um novo passo que mudaria radicalmente a dança contemporânea.

De férias no Brasil, Lacraia conhece em Copacabana o Maestro-Compositor Sergio Vladenvosk, mais conhecido como MC Serginho.

Depois de um colóquio agradável pela orla, o maestro convida então Du Lacraia a conhecer um fenômeno socio-cultural exsurgido no seio do morro carioca, o funk.

Depois de um árduo estudo, MC Serginho inicia uma série de composições influenciadas pela mais fina avant-garde carioca, conciliando o batidão do bonde do tigrão com Stravinsky, dando ao mundo um novo ritmo consagrado na sonata: "Vai Serginho".

Du Lacraia não ficou por menos, e, empolgado com tantas descobertas, mostra ao mundo o que aprendera no circuito Paris-Moscou: A dança dos 40 pés, a dança da Lacraia.

Até hoje não se sabe ao certo como o movimento é tão rapidamente executado sem perder a elegância e a compostura.

Dotado de uma malemolência sem igual e agregando elementos do balé expressionista com a dança moderna, Du Lacraia movimentava as pernas em pequenos passos curtos como um beija-flor parando no ar, ao som de "Vai Lacraia, Vai Lacraia".

Todos os cursos de dança do mundo incluiram em sua grade curricular as matérias "Passo da Lacraia I - Prolegômenos", "Passo da Lacraia II - Iniciação", "Passo da Lacraia III - Movimento Básico" e "Passo da Lacraia IV - Estágio Avançado", sendo as matérias que mais reprovam no curso inteiro, por exigir dos acadêmicos verticalidade corporal, disciplina, leveza, harmonia e simetria.

De fato, uma grande perda para a arte.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Entramos em maio, e que raio?



Pior que diarreia que vai e vem tal qual o resultado parcial da telesena, este mês foi noticiarem a morte de Bin Laden.

Tenho minhas dúvidas. Muito inusitado matarem o Bin depois do casamento do príncipe paquita com a lady kate.

Também ninguém aguentava mais. Até o multishow transmitiu ao vivo a entrada do Bin Laden do príncipe na caverna da princesa.

Ninguém assistiu ao evento pelo fato do sexo entre ingleses ser o mais rápido do reino animal, impossível de ser visto a olho nu.

Juro que me mordi de vontade de ir ao casório, só pra passar pela experiência de ir em um comes-e-bebes sem ninguém pedir pra fazerem um "pratinho". Eu acho.

De qualquer sorte, todos ficarem felizes com o casamento dos mocinhos e com a morte do vilão. A vida não parece uma novela do Manoel Carlos?

Nesse sentido, fica a pergunta: Helenísta é um especialista em protagonistas de novelas do Manoel Carlos?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Baixe o Estrambológico!



Depois de inúmeros pedidos, vai o link pra você baixar esta raridade de cd: "Rui Grudi, o Estrambológico".

http://www.4shared.com/file/TOp1cBZV/RUI_GRUDI-E_DEIXE_OUTRO_PARA_M.htm



Em tempos modernos, pai de santo não baixa caboco, faz "dauloadi"!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Beba um copo e deixe outro para mim



Indeléveis Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro irá fazer uma já tardia homenagem ao guru de nossos tempos. O falso-verdadeiro Messias, fundador da Igreja Ingericana, Rui Grudi, o estrambológico.

Rui Oregon Charles Richard Windsor Grudi possui uma invejável árvore genealógica formada por nobres que remonta ao estabelecimento do cristianismo nas Ilhas Britânicas.

Revoltado com os rumos tomados pelos anglicanos, fundou a igreja ingericana, cujo hino vai a seguir transcrito e com o link para baixar:

http://vipcaruaru.no.sapo.pt/hino.html

Deixe Outro Para Mim
Rui Grudi

Teu fígado está torrado
Ferindo o coração
A cachaça já se apoderou de tí
Escuta meu irmão
Por que bebes tanto assim
Beba um copo e deixe outro para mim
(2x)

Se não beber todo
Eu vos ajudarei
Se não secar o litro
Eu secarei
Secarei (eu secarei)

A igreja diz assim
Beba um copo e deixe outro para mim

Irmãos, peço a atenção
E o respeito de vocês
Para cantarmos o glorioso
Hino da igreja mundial
Dos bêbados de deus
Alelúia irmãos, alelúia

Teu fígado está torrado
Ferindo o coração
A cachaça já se apoderou de tí
Escuta meu irmão
Por que bebes tanto assim
Beba um copo e deixe outro para mim

Se não beber todo
Eu vos ajudarei
Se não secar o litro
Eu secarei
Secarei (eu secarei)

A igreja diz assim
Beba um copo e deixe outro para mim (repete até vomitar)


E tem mais, ouça o clássico "Primeiro eu Paim", uma mistura de carimbó, candomblé, folk music, glam rock, quiprocó e baitolagem.




Vou virar bicho do mato
Pra comer vocês tudim
Primeiro eu paim (2x)

Se tiver algum viado
Pode trazê-lo pra mim
Segundo eu paim (2x)

E se tiver sapatão
Tragam qu ' eu não acho ruim
Terceira nós paim (2x)

É caboco que vai
É caboco que vem
Aqui no meu terreiro
Num falta ninguém

Tranca-rua e Zé Pilintra (tem, tem)
Arranca-toco e Vira-mundo (tem também)
Pomba-gira e Maluguim (tem, tem)
Sete-facadas e Jurema (tem também)
Então viva Exu! ih! ih!

Ôpa! e ainda tá chegando mais
Lá vem: Oxossi, Ubirajura,
Sete Flexas, Sultão,
Maria Padilha e Maria Mulambo



Veja ainda no youtube Rui Grudi cantando “Love of my life” (sucesso do Queen), com seu inglês aprendido nos cursos por correspondência do Instituto Universal Brasileiro.

Suuuuucesso!!!!!!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

diário de um bêbado


Colendos Leitores,

Este blog anda demasiadamente inerte, já este blogueiro anda demasiadamente bêbado. Então aproveitaremos uma coisa na outra lançando a sessão "diário de um bêbado".

Nesta sessão catalogaremos impressões, observações e aforismos provenientes do estado etílico.

Você tem problemas em casa? Você odeia seus pais? Você admira a Suzana Von Richtoffen? Você já pensou em ser filho do Ivan e da Lucinha Lins?

Pra quem cresceu nos anos 90, Ivan Lins é um nerd que canta uma música chata chamada "Madalena" e que você sempre confundia com o Guilherme Arantes, que, por sua vez, você sempre chamava de Guilherme Karan.



A Lucinha Lins, que era oonfundida com a Lucélia Santos, até hoje é lembrada como a irmã da Dinah na Novela 'A Viagem'. Novela que te fez ter medo do inferno e do Alexandre, personagem interpretado por Guilherme Fontes, também chamado de Guilherme Karan, que te fazia ter medo do subterrâneo por causa de Xuxa contra o Baixo Astral.

o

No filme "Xuxa contra o Baixo Atral" Guilherme Karan e seus comparsas, Coxinha e Macarrão, sequestram o cãozinho da rainha dos baixinhos. Qual era o nome do cachorro?

Nesse filme, Xuxa demonstra que tudo se resolve pintando um arco-íris!

Quando eu era jovem pensava em qual mulher teria coragem de dar pro Ivan Lins, hoje a pergunta vale pro Marcelo Camelo.

Mas vejamos uma canção do Ivan, digamos, bem saídinha:


Eu queria, eu queria, eu queria
Um segundo lá no fundo de você
Eu queria, me perdera, me perdoa
Por que eu ando à toa
Sem chegar
Tão mais longe se torna o cais
Lindo é voltar
É difícil o meu caminhar
Mas vou tentar
Não importa qual seja a dor
Nem as pedras que eu vou pisar
Não me importo se é pra chegar
Eu sei, eu sei
De você fiz o meu País
Vestindo festa e final feliz
Eu vi, eu vi
O amor é o meu País
E sim, eu vi
O amor é o meu País


Eu queria um segundo lá no fundo de você?
Isso é pior que "quem dera ser um peixe", putaria pura.

Como diria uma vendedora de produtos eróticos na tv parabólica:
"Safadinho hein?!"

terça-feira, 5 de abril de 2011

Sítio de Bruno irá virar parque temático



O sítio do goleiro Bruno localizado em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte está à venda, de acordo com o advogado Francisco Simim. Nesta segunda-feira, o defensor da ex-mulher de Bruno, Dayanne Souza, confirmou a informação ao G1 e disse que o valor pedido na propriedade é de R$ 800 mil. Foi lá que Eliza Samudio teria sido vista pela última vez.

Já surgiram inúmeras propostas, inclusive, representantes do grupo Beto Carrero World pretendem transformar o local num parque temático, sendo a atração princípal a gíncana "Procure a Elisa".

Várias crianças em idade escolar poderiam participar e ganhariam uma estrelinha por cada osso achado. Não "perda"!!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2011

D-Javú de cu é rola!



Caros Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro esteve (pode ainda) estar ameaçado de extinção. Pensei em escrever um último post. Pode ser um adeus, um até logo, ou só um charminho.

Tem muita gente preocupada com o futuro da música. Todos ficam aterrorizados quando surge um "restart" da vida, que deveria ser "reset", mas o que mais me assusta não é isso.

Em terra de Luan Santana. Maria Gadú é MPB. Em terra de Restart, Detonautas é rock and roll.

"Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar
Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar"


Ah, uma jaula!

Por sorte, a música popular brasileira sempre se renova. Eis que, por exemplo, surge Juninho Portugal, líder do movimento cultural intitulado "D-JAVÚ".

Juninho Portugal é o codinome de Otto DelaCroix Guimarães e Coimbra Orleans Bragança Portugal Jr.

Herdeiro de uma das famílias mais abastadas da Europa. Juninho passou sua infância em sua casa na árvore, em Mônaco. Em razão da ausência dos pais, o garoto desenvolveu um espírito rebelde.

Aos 08 anos, falava 06 idiomas e tocava todos os instrumentos conhecidos na cultura ocidental.

Durante a juventude, o rompimento total com sua linhagem veio quando declarou para a família sua admiração por Napoleão Bonaparte.

Como castigo, seus pais o obrigaram a ser estivador na Ilha de Marajó, onde conheceu a Ninfa Calipso que lhe deu o dom da música sublíme.

Depois de aprimorá-lo em cabarés e inferninhos do Norte e Nordeste do Brasil, Juninho desenvolveu uma técnica única de gravar um disco com uma única faixa e um único acorde, sem que ninguém perceba.

Em suas andanças conheceu Geandson e Nádila, dois cantores que passaram a lhe ajudar em sua empreitada musical.

Quando os pais de Juninho souberam da situação do filho, resolveram interná-lo em um manicômio na Ilha de Elba, tendo o jovem conseguido fugir de lá depois de alguns anos.

Em razão disso, Juninho hoje se veste de soldado napoleônico comandando o exército sonoro que luta contra nossos tímpanos.

Ao lado dos companheiros Geandson e Nádila fundou o Dejá-vu, que é a sensação que temos quando ouvimos tal banda, algo como: "Eu já ouvi essa merda em algum lugar."

quarta-feira, 30 de março de 2011

Aniversário de c# é rola!



Ilustres Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro este mês completou um ano de vida. Em 365 dias foram mais de 130 postagens. Muitos comentários. Muita cultura inútil e muita recordação.

Em virtude da quebra do tabu (coisa de Bambi bater tabus) a foto que ilustra o post de niver do blog homenageia nossos colegas bambis que cheios de luz, glitter e os poderes da shirra, venceram no domingo.

Quero agradecer a todos os nossos seguidores e informar que, em breve, teremos mais novidades no seu aro.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Abre a porta Mariquinha



O Obama, teve um imprevisto na noite de quarta-feira (23) ao voltar de sua viagem de cinco dias à América Latina, na qual esteve no Brasil.

Ao desembarcar nos jardins da Casa Branca do helicóptero Marine One, o presidente foi direto para uma porta que leva ao Salão Oval, mas ela estava trancada.

Aparentemente, a equipe da Casa Branca se esqueceu de deixar a porta aberta para o presidente, cuja volta para casa foi antecipada por conta da crise na Líbia.

Vejam vocês leitores que até o homem que ocupa o cargo dito como o mais importante do mundo passa por essas coisas.

Alguém lá dentro ainda deve ter comentado: "Não abre que deve ser testemunha de Jeová" (copyright mariel)

quarta-feira, 16 de março de 2011

Pimpinela de cu é rola



Defenestrados Leitores,

Como veremos, existem mais coisas entre um aristocrata inglês, uma personagem da novela “Araguaia”, a minha primeira playboy e uma dupla argentina que fez sucesso no nos anos 80, do que sonha nossa vã filosofia.

Nos anos 80, uma canção em forma de dueto tomou as rádios latinoamericanas, sendo uma das mais executadas, principalmente nos cabarés de fronteira, de Tabatinga até Foz do Iguaçu.

Trata-se da canção “olvidame y pega La vuelta” da dupla de dois chamada Pimpinela, formada pelos irmãos Joaquin e Lucia Galán.

Os irmãos se destacaram por compor e interpretar de uma maneira muita peculiar, incluindo um ar teatral nas apresentações e com letras que narram situações cotidianas na forma de diálogo.

Não por acaso, as canções que retratam brigas típicas de casal alcançaram grande sucesso, passando a ser chamadas de “peleas cantadas”, marca característica da dupla.

Para os curiosos, “pimpinela” é uma planta aromática dos prados úmidos, com flores purpurinas, da família das rosáceas.

Pimpinela também é nome de uma presonagem da atual novela das seis, que passa às sete.

Pimpinela também se refere ao famoso Sir Percy Blakeney, aristocrata precursor de Schindler, que ajudou muitos colegas de sangue a fugir da guilhotina e de Robespierre.

Percy enviava a galera aristocrata para a Inglaterra, deixando-os em segurança, colocando no local, apenas uma pequena flor vermelha. Isso lhe valeu o apelido de o “Pimpinela Escarlate”.

Segue a canção:


Olvidame Y Pega La Vuelta

Hace dos años y un día que vivo sin él,
Hace dos años y un día que no lo he vuelto a ver,
Y aunque no he sido feliz aprendí a vivir sin su amor,
Pero al ir olvidando de pronto una noche volvió...
¿Quién es?
Soy yo...
¿Qué vienes a buscar?
A ti...
Y es tarde...
¿Por qué?
Porque ahora soy yo la que quiere estar sin ti...
Por eso vete, olvida mi nombre, mi cara, mi casa,
Y pega la vuelta
Jamás te pude comprender...
Vete, olvida mis ojos, mis manos, mis labios,
Que no te desean
Estás mintiendo ya lo sé...
Vete, olvida que existo, que me conociste,
Y no te sorprendas, olvida de todo que tú para eso
Tienes experiencia...
En busca de emociones un día marché
De un mundo de sensaciones que no encontré,
Y al descubrir que era todo una gran fantasía volví,
Porque entendí que quería las cosas que viven en ti...
Adiós...
Ayúdame...
No hay nada más que hablar...
Piensa en mí...
Adiós...
¿Por qué?
Porque ahora soy yo la que quiere estar sin ti...
Por eso vete, olvida mi nombre, mi cara, mi casa,
Y pega la vuelta
Jamás te pude comprender...
Vete, olvida mis ojos, mis manos, mis labios,
Que no te desean
Estás mintiendo ya lo sé...
Vete, olvida que existo, que me conociste,
Y no te sorprendas, olvida de todo que tú para eso
Tienes experiencia...





No Brasil a canção ganhou uma versão, entre outras, da dupla Jane e Herondy, que também se notabilizou por compor e cantar nesse estílo. Vale lembrar o clássico "Não se Vá", que possui, por sinal, um desfecho muito mais feliz que a canção anterior.

Lembro-me que encontrei certa manhã Jane passeando perto de seu apartamento no bairro dos Jardins em São Paulo.

Eu havia sido alertado pelo porteiro do hotel onde eu estava que isso poderia ocorrer, e me sugeriu que não falasse do Herondy pois eles haviam se separado.

Há menos tempo, a Banda Vexame liderada pela minha primeira playboy Marisa Orth (no auge de suas pernas) alcançou popularidade com uma versão da música portenha.




Pra quem não lembra, em cima do palco, Marisa Orth virava a apresentadora Maralu Menezes e seus convidados Carlos Pazzeto, Marcelo Papini e Fernando Salém viravam Malcon Ewerson, Cido Campos e João Alberto, respectivamente.

O repertório da banda era composto por resgates de clássicos da música nacional e internacional como: Uma vida só (pare de tomar a pílula), cantada nos anos 70 por Odair José ou Chuvas de verão, de José Augusto.

A Vexame criou um rótulo para o repertório que apresentava: MBPBB (Música Bem Popular Bem Brasileira), que incluia ainda canções de Lílian, Sharon, Fernando Mendes e Roberto Carlos.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Na Sua Faringe



Infaustos Leitores,

O meu, o seu, o nosso aro irá dedicar este post ao grupo "Faringes do Amor" a nova fina flor da MPB que só poderia vir de Recife-PE.

Pra quem não conhece, Faringes da Paixão é uma banda nascida em 2004 com o objetivo de reviver a música romântica nacional, conhecida como Brega, homenageando os grandes nomes como o rei Reginaldo Rossi e Odair José.

A banda ainda faz sua homenagem aos artistas conterrâneos e contemporâneos como o Conde e Kelvis Duran, além disso interpreta versões de músicas internacionais de sucesso.

Vejam a magnânima letra do já clássico "Fofolete do Cão" - "Banana é 1 Real", hino que narra desventuras pelas quais todo homem já passou:


"Conhecer mulher feia é o destino de todo homem
Um dia vai te acontecer, pode crer, campeão!
Vai ser um ninja, um dragão
um double ou um canhão
Uma trepeça, derrota, um samurai
Ou uma fofolete do cão...

Fofolete do cão...

Tomar cuidado não vai ser suficiente
Ela vai te pegar ela conhece muita gente
Os seus amigos não vão poder te ajudar
E certamente você não vai escapar
Da fofolete do cão...

Fofolete do cão...

Pra quem foi pego só resta uma solução
Beber até morrer ou então
Viver eternamente sofrendo retaliação
Vestindo a camisa do bloco
Da fofolete do cão...

Fofolete do cão...

É meu conselho, eu também já fui pego
Venha comigo e exorcize o seu ego
Pra nunca mais ter que se ver atormentado
Fuja meu amigo! Ou vai ser encurralado
Pelo monstro mais horrendo que é
A fofolete do cão...

Fofolete do cão"...


Como meu pai já dizia, quem não come mulher feia não entra no céu.

A Banda disponibiliza o cd on line através do link abaixo:


http://www.faringesdapaixao.com.br/cd/

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Pergunte ao jogador


Colendos Leitores,

Já de há muito fico indignado com a desconfiança que certas pessoas possuem sobre a capacidade cognitiva de nossos jogadores de futebol.

Lógico que isso não passa de ressentimento em razão de você se matar de estudar e trabalhar e não ganhar nem um milésimo dos caras que, chutando uma bola, ganham pra si o melhor que o mundo pode dar.

Woody Allen já dizia que quando viramos adultos descobrimos que aquilo que nossos pais diziam que era bom não tem o menor futuro, e aquilo que eles diziam que era ruim, na verdade, era ótimo.

Até hoje guardo rancor por lembrar de todos os momentos em que deixei de jogar bola pra ficar com a cara enfiada nos livros.

E daí se você sabe o hino nacional? Vai dizer isso pra loira colada no craque pagodeiro.

Se você tiver um filho dê para ele uma bola e um cavaquinho. E pra filha um fio dental e uma garrafa pra ela ralar.

Se não levarem jeito, matricule no inglês, no reforço e torça pra ele (a) ir pra faculdade.

De toda sorte, muitos criticam o fato dos jogadores responderem sempre a mesma coisa nas entrevistas. O que ninguém parece notar é que toda resposta decorre de uma pergunta, e porra, os jornalistas sempre perguntam a mesma merda. Exemplos:

Situação: Jogador faz três gols na partida;
Pergunta: E ae Juninho Goiano , feliz com a atuação?
Resposta: "É, na verdade o grupo todo está de parabéns, o grupo tá unido, tá coeso, e só tenho a agradecer a Jesus em primeiro lugar(se for evangélico) e aos meus companheiros que fizeram uma ótima partida".
Comentário: O que vocês queriam? “Eu estou de parabéns, sou foda, se não fosse eu esse time tava fodido”. Ou, “na verdade não, o que é fazer três gols enquanto milhões morrem na África?”

Futebol é um esporte coletivo, se o cara se enaltece pega mal no grupo. Mais um caso:

Situação: Jogador chega ao final do campeonato brigando pela artilharia;
Pergunta: E ae Juninho Goiano , sonhando em ser artilheiro?
Resposta: É, na verdade o grupo todo está de parabéns, o grupo tá unido, tá coeso, e só tenho a agradecer a Jesus em primeiro lugar(se for evangélico) e aos meus companheiros que fizeram uma ótima partida, e mais do que ser artilheiro o importante é o resultado.
Comentário: O que vocês queriam? “Eu estou de parabéns, sou foda, se não fosse eu esse time tava fodido, na verdade ser artilheiro é meu único objetivo não importa se esse time cair ou perder, o importante é que eu faça gols”.
.....................................................................................

Situação: Time perde final ou clássico.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, triste com a derrota?
Resposta: “É, na verdade o time adversário está de parabéns, o time tentou lutou, infelizmente não conseguimos e o que nos resta agora é levantar a cabeça e pensar na quarta-feira (se o jogo for no domingo) / no domingo (se o jogo for na quarta) que vem”.
Comentário: O que vocês queriam? “É na verdade estou feliz pois torço pro time adversário, e sabe como é, jogo a gente ganha, a gente perde, no fundo sob a perspectiva dialética dá no mesmo”.
.....................................................................................

Situação: Time ameaçado de rebaixamento.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, como sair dessa situação?
Resposta: “É, na verdade o grupo está tentando, o time tentou, lutou, infelizmente não conseguimos e o que nos resta agora é levantar a cabeça, trabalhar durante a semana pra conseguir sair dessa situação”.
Comentário: O que vocês queriam? “Na verdade eu não sei como sair da situação, até mesmo se eu soubesse já teríamos saído. Não adianta dizer que trabalhar durante a semana vai resolver, o time é ruim mesmo e pelo visto vai cair”.
.....................................................................................

Situação: Jogador titular amarga o banco.
Pergunta: E ae Juninho Goiano, como voltar a ser titular?
Resposta: “Eu estou trabalhando, meus colegas de posição também e temos que deixar na mão do professor que entende o que é melhor pro grupo”.
Comentário: O que vocês queriam? “ Bom, eu já parei de fumar, beber, cheirar e ir pra balada durante a semana. O problema é que esse viado desse técnico tá dando o rabo pro atual titular e comer cu eu não faço”.
.....................................................................................

Por isso, desafio a todos a responder da maneira mais original as seguintes questões:

Feliz com a vitória?
Triste com a derrota?
Como sair dessa situação? (ameaça de rebaixamento)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Frase do Dia



"Se eu fosse o Flamengo não receberia a "Taça das Bolinhas" do São Paulo. Ninguém sabe se eles lavaram depois do pompoarismo"...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Guaraná Jesus como fonte de inspiração dos Gênios Maranhenses



Caros Leitores,

Como devidamente salientado na postagem anterior, todo analista, que possua o mínimo de discernimento cultural, reconhece o Estado do Maranhão como o maior exportador de maconha...ops.. de gênios da Música Popular Brasileira.

De Raimundo Soldado a Adelino Nascimento, de João do Vale a Julio Nascimento, passando por Cláudio Fontana, todo amante do gênero brega, caso não tenha visitado, conhece o Maranhão pelo imaginário construído através de pérolas como "Vou Voltar pra São Luis" ou "Minha Santa Inês".

Eu tive o privilégio de, por três ocasiões, mergulhar nos mistérios de Zé Doca, viajar no Cosmopolitismo de Bacabal, saborear a hospitalidade de Santa Inês e me admirar com as belezas da Capital Maranhense.

Na realidade, o Maranhão todo é uma cidade só que se chama Sarneycity.

Muitos dizem que o Maranhão não pertence ao Nordeste, nem ao Norte, na verdade o Estado seria um areial que separa o Norte do Nordeste.

De toda sorte, nada levanta mais controvérsias que a bebida, somente comercializada por lá, denominada GUARANÁ JESUS!



O Guaraná Jesus possui propriedades alucinógenas capazes de escancarar as portas da percepção, levando o indivíduo que o bebe a transferir-se para um estágio mais avançado de consciência e evolução.

Tudo começou há um tempo atrás na ilha do soooolll!!

Não, na verdade, a história começa há mais de dois mil anos com Jesus de Nazaré, um desempregado nascido em Belém do Pará (Estado vizinho do Maranhão) e filho de um madeireiro chamado José.

Um dia, Jesus e sua família estavam participando de uma tradicional festa de casamento no Estado vizinho, mais especificamente na residência dos Sarney, quando acabou a bebida, o que gerou confusão e morte (coisa natural no Maranhão), então Maria pediu ao filho que não deixasse o amigo José (Sarney) na mão.

Jesus, que passara a juventude no ócio e bolando ideias sem futuro, gostava de misturar as coisas pra ver no que dava, então resolveu pegar alguns potes de barro repletos de água (coisa comum no Nordeste) e jogar um vidro de sabultamol (xarope docinho para a tosse) , amaciante de roupas, desinfentante, pequí ralado e pirilipimpim, gerando uma bebida rosa, gasosa e alucinante.

A bebida foi um sucesso e logo Jesus passou a ser convidado para comandar as pick-ups nas festas,ops, comandar os comes e bebes de todas as arruaças do Pará, Maranhão e adjacências.

Graças ao baratorol e ao noiotracina, substâncias potentes, o cérebro de quem ingere a bebida entra em efervescência causando delírios inefáveis.



Na ocasião, para animar as festas regadas a Guaraná Jesus, surgiu um novo ritmo musical chamado tecno-brega com letras e melodias inspiradas nas viagens psicodélicas e cultuando figuras pagãs como a ninfa Calipso.


(Chimbinha - Virtuose do Gênero - O Guaraná Jesus foi para Chimbinha o que o Ácido Lisérgico foi para Jimmi Hendrix)


O grande problema foi que o Império Romano, então comandado por José Roberto Marinho, insatisfeito com a queda na compra de vinho, bebida produzida e distribuída em um dos ramos de seu extenso grupo empresarial, pediu a cabeça de Jesus.



Subornando um coalira de seu convívio chamado Judas, por 30 moedas (o suficiente para comprar 15 latinhas de guaraná Jesus),os Romanos conseguiram descobrir o cativeiro de Jesus e o prenderam.

Crucificado ao lado de dois conterrâneos, Jesus virou simbolo da contracultura advinda do consumo desenfreado da bebida, provocando uma geração de cabeludos e barbudos desempregados e malcheirosos.

Vale ressaltar ainda que, antes de sua prisão e crucificação, Jesus levou a cultura psicodélica do guaraná ao nivel litúrgico quando em um dia de larica apanhou um pedaço de broa e um copo de guaraná dizendo:

"Tomai e comei, este é meu corpo, tomai e bebei este é meu sangue".


(Bob Dylan- Inveterado Bebedor de Guaraná Jesus retratou suas experiências na canção "Rainy Day Women # 12 & 35" gravada ao vivo em um cabaré de Pedreiras)

Crucificado, morto e sepultado, muitos viciados em Guaraná Jesus se reunem até hoje ao redor de seu túmulo para cantar clássicos de Raul Seixas entre outros artistas que tiveram seu processo criativo influenciado pela mágica bebida.

Inclusive, Jim Morrison, vocalista do "The Doors" e até hoje o maior consumidor da bebida, em inúmeras gravações que captam seu transe, volta e meia pede a bebida enquanto canta, como na clássica "The End" que refere-se ao último gole da garrafa de Guaraná Jesus e à abstinência daí advinda.


(Transporte Público em São Luis)

Por questão de saúde pública, hoje a bebida somente é comercializada no Maranhão, sendo recentemente legalizado o seu uso em pequenas quantidades na Holanda.

Pra quem não experimentou ainda, fica a dica.

"Não há nada melhor para expandir a consciência do que um copo de Guaraná Jesus ao som de Raimundo Soldado de trás pra frente". John Lennon